sexta-feira, 5 de setembro de 2008

o dia passa,

Barras de tribunais, barras de prisões
todo o dia sou fico preso atrás de umas, à frente de outras
o tempo
não cura a podridão no sangue. Espirra-se um
bafo criminal, lodoso, gangrenado de
culpas e inocências por provar,
a palavra mexe-se, serpenteia entre os ouvintes,
uma plateia como um coro
à espera do poder. No interior destas salas
amadurece uma doença
sem farmácia. Um sexo desprovido de contacto ou contágio,
único,
horrendo e desfigurado, anos e anos, anos e séculos,
olha em frente o homem
vestido de batina preta, mas severo que um
padre.

Anuncia que o mundo
nunca existiu sem crime.

1 comentário:

Pedro M. Tavares disse...

Obrigado pelo comentário Henrique. A verdade é que gostava de te dar uma resposta concreta, mas apesar de aquilo que eu faço sofrer influências evidentes da Dada, eu acho que há determinados cadáveres que devem permanecer enterrados. Achei interessante como a tua vivência profissional influência a tua escrita. Bom Trabalho. Com os meus mais sinceros cumprimentos.